

Tudo começou num dia de Verão de 1998. O meu vizinho Rui foi a minha casa e perguntou-me se queria um cãozinho que ele encontrou abandonado na estrada em Poiares. Claro que eu queria um cãozinho!!! Mas não poderia tomar essa decisão sem perguntar aos meus Pais, eles poderiam ficar bem aborrecidos comigo. Então o meu Pai chega a casa nesse momento e diz logo que sim, que ficamos com ele. O seu nome era Lucky, porque foi um sortudo em ser encontrado e em ter um lar.
Lembro-me quando ele mo deu, tão pequenino e amarelinho! Tão lindo! Corria atrás de nós enquanto brincávamos, mordia as meias com o Snoopy, era um cachorrinho feliz.
E lá foi crescendo, adorava correr atrás das carrinhas do meu Pai, adorava andar com ele. Foi um problema porque ele fugia de casa quando nós saíamos para ir atrás de nós. Saltava os muros do canil e lá ia ele. Tantas foram as vezes que a minha Mãe o encontrou pelo caminho e o trouxe para casa. Uma vez esteve fora o fim-de-semana todo, chegou no Domingo de manha sabe-se lá de onde, todo contente da sua mini viagem! Depois começou a correr a beira do dumper do meu Pai. Uma vez fugiu sem nós sabermos e foi ter a uma terrinha onde o dumper estava e ficou ali deitado o fim-de-semana todo à espera do meu Pai, até que alguém ligou para nós a avisar onde ele estava (nós já andavamos nervosos sem saber do Lucky…) para o ir-mos buscar.
Ele tinha uma mania de passear pelas serras… Quando o Wolf estava solto fugiam os dois, o Lucky sempre voltava, o Wolf ficava preso nas armadilhas de javali… Tantas foram as vezes que ficavamos à escuta de ouvir o Wolf ganir para sabermos mais ou menos onde ele estava para o ir-mos buscar. Na ultima vez que escaparam os dois o Wolf ia morrendo. Duas da manha e nós sem dormir, a tentar ouvir o Wolf sabe-se lá onde…
Com os outros cães não se dava muito bem, não gostava dos cães bebes, e fugia deles, tecnicamente só adorava o Wolf. Amigos inseparáveis. Até que o Wolf partiu!!! Ainda tinhamos o Rufus, mas ele era bruto e não sabia brincar e o Lucky tinha medo dele porque também levou dentadinhas do Rufus.
Até que chegou a Zara, anos mais tarde. Como sempre rejeitou-a… até que ela cresceu e ele lhe ensinou as vantagens de se escapulirem de casa e irem correr pela serra. Sempre voltaram os dois!!! Depois a Zara ganhou habito de papar galinhas aos vizinhos, só sai com supervisão… O Lucky ficou outra vez sozinho, ia dando as suas voltas…
Há um ano mais ou menos o meu Lucky ficou doente, as patinhas traseiras começaram a falhar… Velhice disse a veterinária. Não o podíamos deixar fechado no canil. Não ia ser feliz. Ele é feliz a passear, livre… Quisemos que os seus últimos meses de vida fossem bons, que ele fosse feliz… Sempre o deixamos correr pela floresta, até há pouco tempo. Estava bastante magro, mas feliz. Via-se no olhar que estava feliz. Céus, era o meu Lucky e só queria que fosse feliz!!! Mas estava a piorar. Há umas duas semanas tivemos de o deixar sempre no canil. Não queriamos que ele morresse na serra, com dores, sozinho. Mas ele só piorou, a cada dia que se passava.
Sábado tivemos de o levar ao veterinário… A nossa veterinária é excelente… Já sabiamos o que ia acontecer… O Lucky morreu nesse dia, fraquinho da velhice. Morreu exactamente no mesmo local do Wolf (o Wolf morreu de insuficiência renal causada por medicamentos que tinha de tomar porque tinha leishmaniose, doença que o Rufus também tem).
Foi dificil perder o Wolf que era o nosso bebe, o traquinhas. Mas foi igualmente pesaroso perder o Lucky, o Companheirão do meu Pai, que adorava o meu Pai, que se ria quando fazia asneiras. Quer era um doce, que mesmo com medo dos cães lá da terra ia defender o Pantufa. Que era querido, afectuoso e meigo. E custou saber que eu não estava lá com ele… Nem me despedi dele!!!
Estou triste, fartei-me de chorar (de certeza que não fui a única) e admito, admito que chorei mais pela perda dos meus cães do que chorei pela perda de familiares, porque afinal os meus cães estão sempre ali, são inteligentes, gostam de nós e fazem parte da família!!! Adoro os meus cães. Perdi o meu Lucky, mas sei que o deixamos ser feliz, que ele gostou de estar com a minha família e que nos era leal. Quem sabe se ele não encontrou o Wolf, o Pantufa, o Pieper e o Rabito no céu dos cães e andam a fazer altas asneiradas?!
Lucky, estarás sempre nos nossos corações…
Tudo começou num dia de Verão, para acabar num sábado horrível de Inverno!!!